Engenheiros da ERCE analisam os impactos hidrológicos e reforçam a importância do planejamento técnico na prevenção de desastres.

*Não necessariamente as opiniões deste artigo expressam as posições do SINAEG e sua diretoria
Análise Hidrológica das Chuvas na cidade de Juiz de Fora em fevereiro 2026
Autores:
Álvaro B H Silva – Servidor da FUNASA/ MS Professor titular no curso de Engenharia civil e de Arquitetura e urbanismo do Ceub Brasília. Filiado ao sindicato Sinaeg.
Vital Amilcar – Servidor FUNASA / MS. Engenheiro Civil UFPE, Especialista em Gestão da Qualidade e Produtividade (IPE), MSc Engenharia Civil (Gestão de Infraestruturas Urbanas), 16 anos atuando na ERCE.
As fortes chuvas registradas na cidade de Juiz de Fora (MG) nos últimos dias causaram impactos significativos no tecido urbano. De acordo com a Companhia de Saneamento Municipal (Cesama), as principais consequências desse evento meteorológico no tecido urbano são o deslizamento de taludes, rompimentos de redes de distribuição de água nos bairros Granjas Santo Antônio e Esplanada, interrupção no fornecimento de energia elétrica em algumas áreas impactando na operação das estações de bombeamento de água, bem como paralisações preventivas para garantir a segurança das estruturas. Os impactos decorrentes comprometem a operação das infraestruturas essenciais da cidade
Transtornos de efeitos climáticos, notadamente quando suplantam o período de recorrência para o qual as infraestruturas instaladas foram dimensionadas, resultam em potenciais riscos às vidas e ao patrimônio.
As chuvas orográficas ocorrem em regiões da Serra do Mar ao longo do litoral encontradas no Estado do Rio de Janeiro e Espirito Santo, onde a Serra do Mar se aproxima e até supera 2000 m. No Brasil as chuvas frontais são frequentes (Cavalcante et al.,2009) Nesta região a precipitação média anual média é da ordem de 1500 mm como média anual, logo chuvas de mais de 160 mm é um ponto fora da curva e podem causar problemas se houverem pontos com pouco ou nenhum planejamento urbano e falhas de execução de redes de drenagem.
Para o evento climático observado em Juiz de Fora, com precipitação de 180 mm demandará aprofundamento de estudos hidrológicos, no entanto, com base em estudos anteriores, chuvas com intensidade superior a 100 mm em 24 horas são consideradas eventos extremos, com períodos de recorrência que podem variar de 10 a 250 anos dependendo da localização e características climáticas da região.
Nesse sentido convém analisar o tempo de concentração da bacia hidrográfica de Médio Paraibuna, na qual o município de Juiz de Fora é inserido, esse parâmetro é relevante para a caracterização do pico e do formato do hidrograma de cheia, e, por conseguinte para estimativa das vazões máximas
O tempo de concentração de uma bacia hidrográfica é um conceito relativamente abstrato. Esse tempo depende tanto da distância como da velocidade da água (Collischonn, 2015). A estimativa do tempo de concentração pode ser representada pela equação 1 que considera a velocidade da água e tempo de deslocamento
Onde tc é o tempo de concentração em minutos; N é o número de trechos; L é o comprimento do sub-trecho (Km); e vi é a velocidade da agua.
Esses parâmetros associados à utilização de modelo digital de elevação MDE – que é a forma de representação do relevo mais utilizada para extrair dados para estudos hidrológicos (Paz e Collischonn, 2008) – permite analisar cenários e realizar simulações para previsões de impactos e última instância propiciar elementos para o planejamento e implantação de infraestruturas mitigadoras.
Nessa seara, no âmbito federal, o Governo possui equipe multidisciplinar da Estrutura Remuneratória de Cargos Específicos (ERCE) que tem ajudado em alguns casos ao longo dos anos com equipe técnica, laboratórios moveis e ajuda a tomada de decisão por parte do gestor municipal que, em alguns casos possui uma equipe, mas o efeito desproporcional climático pode indicar a necessidade de pedido de ajuda por equipe especializada.
Documentos anteriores publicados no site do ERCE alertam para a necessidade de apreciação mais aprofundada de questões de segurança ambiental, que os técnicos federais de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo, Economia, Geologia e estatísticos podem ser importantes na reconstrução e ajuda em casos semelhantes
As chuvas intensas em Juiz de Fora, causaram impactos significativos na infraestrutura da cidade, destacando a importância de medidas de prevenção e mitigação de efeitos de eventos extremos.
A análise hidrológica é fundamental para entender o comportamento das chuvas e desenvolver estratégias eficazes para a gestão de recursos hídricos e prevenção de desastres.
Acrescente-se a necessidade de revisão do planejamento urbano com atualização do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) que certamente facilitaria melhora a gestão municipal.
Acreditamos que o engajamento de equipes técnicas especializadas pode ajudar o feito de impactos negativos futuros que possam ocorrem em outros momentos que poderão vir a ocorrer a semelhança de outros países que sofrem com problemas de terremotos, ciclones, maremotos e doenças evitáveis como dengue, malária e outras que possuem algum tipo de veicula hídrica que afetam diretamente a economia local, estadual e federal.
Referências bibliográficas
- PAZ,A. R., COLLISCHOW, W., RISSO,A.,MENDES,C.A.2008.Errors in rivers lengths derived from raster digital elevation models. Computeres &Geosciences vol 34 (2008) 1584-1596
- CAVALCANTI, I. F. A.; FERREIRA, N. J.;JUSTI DA SILVA, M.G.;SILVA DIAS, M.A. (organizadores) 2009 tempo e clima no Brasil. Oficina de textos.463 pp
- COLLISCHONN, V.hidrologia para engenharias e ciências ambientais, 3ª edição ABRH 2015 336 p